A utilização de culturas anuais na forma de sucessão, rotação e em
consórcios
com espécies forrageiras é uma das alternativas de recuperação ou
renovação de pastagens no sistema integrado lavoura-pecuária
(SILP). Para
tanto, torna-se necessário amplo conhecimento sobre as tecnologias
de
correção química e física do solo e o controle de plantas daninhas
para adequar
a área à correta utilização do sistema de plantio direto (SPD).
Tal sistema
é o mais recomendado devido às vantagens que apresenta em relação
a
sistemas com arações e gradagens. O SPD possibilita baixar custos
de
produção e aumentar os benefícios ambientais, quais sejam eles:
conservação
de solo e água e redução no uso de agrotóxicos.
Uma vez implantado o SILP com SPD, o manejo dos herbicidas no
consórcio
lavoura-forrageira passa a representar uma etapa das mais
importantes, pois
dela vai depender a produtividade tanto da lavoura quanto da pastagem
que se
vai formar.
Dessecação da área para implantação do consórcio
milho+capim no sistema de semeadura direta plantio
direto
Em geral, o momento para aplicação dos produtos para dessecação
pode
ocorrer após as primeiras chuvas, quando a nova brotação da
forrageira
estiver vigorosa e em pleno crescimento (15 a 20 dias após o
corte, 20 a 25
cm de altura). A aplicação deve ser feita, preferencialmente, nos
períodos com
temperaturas mais amenas (nas primeiras horas da manhã ou ao
entardecer)
e com ventos de baixa intensidade. Outra condição relaciona-se à
dessecação com a espécie forrageira em estádio avançado de
crescimento.
Nessa situação, recomenda-se um pastejo de curta duração
utilizando alta
taxa de lotação no final do período seco ou manejo com roçadeira
ou triturador
vegetal (triton).
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2 Manejo de herbicidas na dessecação de pastagem e na cultura do
milho consorciado com gramíneas forrageiras
Foto: Ramon C. Alvarenga
Os herbicidas passíveis de utilização no processo
de dessecação pré-semeadura encontram-
se na Tabela 1. Os herbicidas mais
utilizados para dessecação são aqueles à base
de glifosato, podendo em alguns casos utilizarse
a mistura glifosato + 2,4-D, principalmente
no caso de haver infestação de plantas daninhas
de folhas largas na área e, principalmente,
aquelas tolerantes ao glifosato. As doses
variam em função das espécies a serem
dessecadas (forrageiras e infestantes), do
estádio de crescimento dessas plantas e da
densidade de infestação.
potássico, visando boa eficácia no controle da
cobertura vegetal. Esta segunda dessecação
pode ser realizada com doses menores de algum
dos seguintes herbicidas:
- glifosato: 540 g/ha do e.a.
- paraquat (300 a 400 g/ha do i.a.) ou mistura
formulada de paraquat mais diuron (300 a 600 g/
ha do e.a. paraquat mais diuron)
Nome Técnico Nome
comercial
Concentração
g i.a/L – g e.a./L
Doses1
kg i.a./ha L p.c./ha
kg e.a./ha
Paraquat2 Gramoxone 200 0,3 a 0,6 1,5-3,0
2,4-D3 Diversos 670 a 720 0,5 a 1,1 0,8 a 1,5
Paraquat + Diuron Gramocil 200 + 100 0,4-0,6 + 0,2-0,3 2,0 a 3,0
Glifosato Diversos 360 a 720 0,36 a 2,16 1,0 a 6,0
Glifosato Potássico Zap QI 500 0,35 a 2,0 0,7 a 4,0
Tabela 1. Herbicidas para
dessecação em pré-semeadura.
Intervalo entre a dessecação e a
semeadura da cultura anual
No momento da semeadura, a pastagem que
foi dessecada deve estar completamente seca
e acamada sobre o solo, o que normalmente
verifica-se em torno de 20 dias após a
dessecação.
Uma segunda dessecação deverá ser feita em
áreas onde ocorre um segundo fluxo de
emergência de plantas daninhas ou da espécie
forrageira após a primeira dessecação e antes
da semeadura. Isso se faz, normalmente, com
produtos de contato, como o paraquat ou
paraquat mais diuron ou mesmo os sistêmicos
com doses menores de glifosato ou glifosato
1Doses: i.a. (ingrediente ativo), e.a. (equivalente ácido) e p.c.
(produto comercial);
2 Adicionar 0,1 a 0,2 % v/v de adjuvante não iônico (Agral);
3Estar atento para problemas de deriva, podendo afetar culturas
sensíveis próximas à área de aplicação. Manter intervalo de
7 a 10 dias entre a aplicação e a semeadura para algumas culturas
sensíveis ao 2,4-D.
A eficiência no uso de dosagens menores do
dessecante dependerá do estádio das espécies
infestantes.
Por outro lado, a utilização do sistema de manejo
aplique-plante (aplicação do herbicida e
semeadura em seguida) pode apresentar
restrições ao desenvolvimento e à produtividade
da cultura, principalmente quando ocorre
densidade alta de plantas daninhas ou plantas de
cobertura.
Portanto, quando a área apresentar elevada
cobertura (>50% do solo coberto por vegetação),
deve-se evitar a operação de aplique-plante,
privilegiando a dessecação antecipada em
relação à semeadura.
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Manejo de herbicidas na dessecação de pastagem e na cultura do
milho consorciado com gramíneas forrageiras 3
Foto: Ramon C. Alvarenga
Foto: Ramon C. Alvarenga
Utilização de herbicidas pós-emergentes
em plantio consorciado
A época de aplicação e a dosagem do herbicida
dependerão do sistema de semeadura da cultura
e da espécie da forrageira. As situações
comumente encontradas podem ser:
A – Semeadura da forrageira após a emer
gência do milho. Semeia-se o milho
solteiro e faz-se o controle das plantas
daninhas antes do plantio da forrageira. Sistema
usado quando há alta incidência de plantas
daninhas ou em condições de milho safrinha. O
produto não deve apresentar efeito residual no
solo ou deve ser seletivo para a gramínea a ser
cultivada para evitar deficiências ou falhas na
formação da pastagem.
B – Semeadura simultânea do milho +
forrageira. A aplicação deverá ocorrer na
fase em que cultura do milho estiver com
4 a 6 folhas e da forrageira com mais de 3
perfilhos.
Existem situações em que há predominância de
plantas daninhas de folhas largas e onde a
braquiária não exercerá interferência na cultura do
milho. Nesses casos, não há necessidade de
graminicida ou redução do crescimento da
forrageira, podendo ser utilizada o herbicida
atrazina na dosagem de 800 a 1.300 g i.a./ha.
Nas situações em que é necessário o controle de
plantas daninhas de folhas largas com
necessidade de inibição temporária do
crescimento da forrageira, sugere-se a aplicação
de atrazina associada à uma subdose de
herbicidas com ação graminicida (Nicosulfuron,
Tembotrione ou Foramsulfuron). Trabalhos
recentes têm indicado a necessidade de
aplicação de mistura de herbicidas no sistema de
cultivo integrado da cultura e forrageira. A mistura
de herbicidas apresentou-se seletiva ao milho e
foi eficiente tanto para o controle de plantas
daninhas quanto para inibir temporariamente o
crescimento das forrageiras em áreas
consorciadas com o milho. Outra opção estudada
foi a mistura da atrazina associada à uma
subdose de graminicida e latifolicida (iodosulfuron
methyl sodium). As combinações de misturas de
herbicidas estudadas e suas respectivas
dosagens foram:
- Atrazina - de 800 a 1300 g ha-1
- em mistura com o nicosulfuron – dosagem varia
de 6 a 8 g i.a. ha-1.
- para a B. brizantha a melhor dosagem foi 8 g i.a.
ha-1
- enquanto que para as B. ruziziensis, B.
humidicola e Panicuns a dosagem foi 6 g i.a. ha-1
- Atrazina em mistura com Tembotrione (800 a
1300 + 12 a 29 g i.a. ha-1)
- Foramsulfuron + iodosulfuron methyl sodium (45
+ 3 g ha-1)
- Atrazina em mistura com Foramsulfuron +
iodosulfuron methyl sodium (1500 + 15 + 1 g ha-1)
O nicosulfuron é herbicida registrado para o uso
em pós-emergência na cultura do milho para o
controle de plantas daninhas mono e
dicotiledôneas.
A mistura comercial foramsulfuron mais
iodosulfuron methyl é registrada no Brasil para o
uso em pós-emergência na cultura do milho para
o controle de plantas daninhas mono e
dicotiledôneas.
A mistura dos herbicidas foramsulfuron mais
iodosulfuorn methyl sodium mais atrazina não
está disponível comercialmente para a cultura do
milho. Estudos recentes indicam a eficiência de
uso da mesma para essa cultura e seletividade
para forrageiras do gênero Brachiaria spp.
No Brasil, não há modalidade de registro de
herbicida para utilização em subdosagem com
objetivo de inibição de crescimento temporário de
plantas. Portanto, essas misturas com eficiência
técnica tanto para uso como inibidor de
crescimento temporário de plantas forrageiras
consorciadas com milho quanto para o controle
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