quarta-feira, 15 de maio de 2013

Manejo e dessecaçao de pastagens


A utilização de culturas anuais na forma de sucessão, rotação e em consórcios

com espécies forrageiras é uma das alternativas de recuperação ou

renovação de pastagens no sistema integrado lavoura-pecuária (SILP). Para

tanto, torna-se necessário amplo conhecimento sobre as tecnologias de

correção química e física do solo e o controle de plantas daninhas para adequar

a área à correta utilização do sistema de plantio direto (SPD). Tal sistema

é o mais recomendado devido às vantagens que apresenta em relação a

sistemas com arações e gradagens. O SPD possibilita baixar custos de

produção e aumentar os benefícios ambientais, quais sejam eles: conservação

de solo e água e redução no uso de agrotóxicos.

Uma vez implantado o SILP com SPD, o manejo dos herbicidas no consórcio

lavoura-forrageira passa a representar uma etapa das mais importantes, pois

dela vai depender a produtividade tanto da lavoura quanto da pastagem que se

vai formar.

Dessecação da área para implantação do consórcio

milho+capim no sistema de semeadura direta plantio

direto

Em geral, o momento para aplicação dos produtos para dessecação pode

ocorrer após as primeiras chuvas, quando a nova brotação da forrageira

estiver vigorosa e em pleno crescimento (15 a 20 dias após o corte, 20 a 25

cm de altura). A aplicação deve ser feita, preferencialmente, nos períodos com

temperaturas mais amenas (nas primeiras horas da manhã ou ao entardecer)

e com ventos de baixa intensidade. Outra condição relaciona-se à

dessecação com a espécie forrageira em estádio avançado de crescimento.

Nessa situação, recomenda-se um pastejo de curta duração utilizando alta

taxa de lotação no final do período seco ou manejo com roçadeira ou triturador

vegetal (triton).

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2 Manejo de herbicidas na dessecação de pastagem e na cultura do milho consorciado com gramíneas forrageiras

Foto: Ramon C. Alvarenga

Os herbicidas passíveis de utilização no processo

de dessecação pré-semeadura encontram-

se na Tabela 1. Os herbicidas mais

utilizados para dessecação são aqueles à base

de glifosato, podendo em alguns casos utilizarse

a mistura glifosato + 2,4-D, principalmente

no caso de haver infestação de plantas daninhas

de folhas largas na área e, principalmente,

aquelas tolerantes ao glifosato. As doses

variam em função das espécies a serem

dessecadas (forrageiras e infestantes), do

estádio de crescimento dessas plantas e da

densidade de infestação.

potássico, visando boa eficácia no controle da

cobertura vegetal. Esta segunda dessecação

pode ser realizada com doses menores de algum

dos seguintes herbicidas:

- glifosato: 540 g/ha do e.a.

- paraquat (300 a 400 g/ha do i.a.) ou mistura

formulada de paraquat mais diuron (300 a 600 g/

ha do e.a. paraquat mais diuron)

Nome Técnico Nome

comercial

Concentração

g i.a/L – g e.a./L

Doses1

kg i.a./ha L p.c./ha

kg e.a./ha

Paraquat2 Gramoxone 200 0,3 a 0,6 1,5-3,0

2,4-D3 Diversos 670 a 720 0,5 a 1,1 0,8 a 1,5

Paraquat + Diuron Gramocil 200 + 100 0,4-0,6 + 0,2-0,3 2,0 a 3,0

Glifosato Diversos 360 a 720 0,36 a 2,16 1,0 a 6,0

Glifosato Potássico Zap QI 500 0,35 a 2,0 0,7 a 4,0

Tabela 1. Herbicidas para dessecação em pré-semeadura.

Intervalo entre a dessecação e a

semeadura da cultura anual

No momento da semeadura, a pastagem que

foi dessecada deve estar completamente seca

e acamada sobre o solo, o que normalmente

verifica-se em torno de 20 dias após a

dessecação.

Uma segunda dessecação deverá ser feita em

áreas onde ocorre um segundo fluxo de

emergência de plantas daninhas ou da espécie

forrageira após a primeira dessecação e antes

da semeadura. Isso se faz, normalmente, com

produtos de contato, como o paraquat ou

paraquat mais diuron ou mesmo os sistêmicos

com doses menores de glifosato ou glifosato

1Doses: i.a. (ingrediente ativo), e.a. (equivalente ácido) e p.c. (produto comercial);

2 Adicionar 0,1 a 0,2 % v/v de adjuvante não iônico (Agral);

3Estar atento para problemas de deriva, podendo afetar culturas sensíveis próximas à área de aplicação. Manter intervalo de

7 a 10 dias entre a aplicação e a semeadura para algumas culturas sensíveis ao 2,4-D.

A eficiência no uso de dosagens menores do

dessecante dependerá do estádio das espécies

infestantes.

Por outro lado, a utilização do sistema de manejo

aplique-plante (aplicação do herbicida e

semeadura em seguida) pode apresentar

restrições ao desenvolvimento e à produtividade

da cultura, principalmente quando ocorre

densidade alta de plantas daninhas ou plantas de

cobertura.

Portanto, quando a área apresentar elevada

cobertura (>50% do solo coberto por vegetação),

deve-se evitar a operação de aplique-plante,

privilegiando a dessecação antecipada em

relação à semeadura.

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Manejo de herbicidas na dessecação de pastagem e na cultura do milho consorciado com gramíneas forrageiras 3

Foto: Ramon C. Alvarenga

Foto: Ramon C. Alvarenga

Utilização de herbicidas pós-emergentes

em plantio consorciado

A época de aplicação e a dosagem do herbicida

dependerão do sistema de semeadura da cultura

e da espécie da forrageira. As situações

comumente encontradas podem ser:

A – Semeadura da forrageira após a emer

gência do milho. Semeia-se o milho

solteiro e faz-se o controle das plantas

daninhas antes do plantio da forrageira. Sistema

usado quando há alta incidência de plantas

daninhas ou em condições de milho safrinha. O

produto não deve apresentar efeito residual no

solo ou deve ser seletivo para a gramínea a ser

cultivada para evitar deficiências ou falhas na

formação da pastagem.

B – Semeadura simultânea do milho +

forrageira. A aplicação deverá ocorrer na

fase em que cultura do milho estiver com

4 a 6 folhas e da forrageira com mais de 3

perfilhos.

Existem situações em que há predominância de

plantas daninhas de folhas largas e onde a

braquiária não exercerá interferência na cultura do

milho. Nesses casos, não há necessidade de

graminicida ou redução do crescimento da

forrageira, podendo ser utilizada o herbicida

atrazina na dosagem de 800 a 1.300 g i.a./ha.

Nas situações em que é necessário o controle de

plantas daninhas de folhas largas com

necessidade de inibição temporária do

crescimento da forrageira, sugere-se a aplicação

de atrazina associada à uma subdose de

herbicidas com ação graminicida (Nicosulfuron,

Tembotrione ou Foramsulfuron). Trabalhos

recentes têm indicado a necessidade de

aplicação de mistura de herbicidas no sistema de

cultivo integrado da cultura e forrageira. A mistura

de herbicidas apresentou-se seletiva ao milho e

foi eficiente tanto para o controle de plantas

daninhas quanto para inibir temporariamente o

crescimento das forrageiras em áreas

consorciadas com o milho. Outra opção estudada

foi a mistura da atrazina associada à uma

subdose de graminicida e latifolicida (iodosulfuron

methyl sodium). As combinações de misturas de

herbicidas estudadas e suas respectivas

dosagens foram:

- Atrazina - de 800 a 1300 g ha-1

- em mistura com o nicosulfuron – dosagem varia

de 6 a 8 g i.a. ha-1.

- para a B. brizantha a melhor dosagem foi 8 g i.a.

ha-1

- enquanto que para as B. ruziziensis, B.

humidicola e Panicuns a dosagem foi 6 g i.a. ha-1

- Atrazina em mistura com Tembotrione (800 a

1300 + 12 a 29 g i.a. ha-1)

- Foramsulfuron + iodosulfuron methyl sodium (45

+ 3 g ha-1)

- Atrazina em mistura com Foramsulfuron +

iodosulfuron methyl sodium (1500 + 15 + 1 g ha-1)

O nicosulfuron é herbicida registrado para o uso

em pós-emergência na cultura do milho para o

controle de plantas daninhas mono e

dicotiledôneas.

A mistura comercial foramsulfuron mais

iodosulfuron methyl é registrada no Brasil para o

uso em pós-emergência na cultura do milho para

o controle de plantas daninhas mono e

dicotiledôneas.

A mistura dos herbicidas foramsulfuron mais

iodosulfuorn methyl sodium mais atrazina não

está disponível comercialmente para a cultura do

milho. Estudos recentes indicam a eficiência de

uso da mesma para essa cultura e seletividade

para forrageiras do gênero Brachiaria spp.

No Brasil, não há modalidade de registro de

herbicida para utilização em subdosagem com

objetivo de inibição de crescimento temporário de

plantas. Portanto, essas misturas com eficiência

técnica tanto para uso como inibidor de

crescimento temporário de plantas forrageiras

consorciadas com milho quanto para o controle

 

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